São José dos Ausentes-RS

0155- 06ago19 canion Mte Negro

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Depois de um bom tempo sem viagens longas, finalmente conseguimos fazer uma. Há tempos o Wanzer queria conhecer os cânions da região de São José dos Ausentes, no Rio Grande do Sul. Dessa vez, surgiu a oportunidade, ele convidou a turma e Eu (Sidnei)/Edna, Manolo/Rosana e Belo/Céu topamos. O resto do povo, infelizmente, ficou em casa… O Wanzer planejou tudo, inclusive com adesivos e camisetas. Ponto de encontro marcado para dia 03 de agosto às 10h00 no posto O Fazendeiro, na Regis Bittencourt. Mesmo com uma chuvinha chata, todo mundo estava lá na hora, inclusive o Belo. Um cafezinho pra esquentar, pegar as camisetas e adesivos e estrada. Saímos com tempo nublado, mas logo melhorou. Estrada boa, trânsito tranquilo. Há muito tempo eu não pegava a Regis e gostei de vê-la duplicada. Ficou muito mais tranquilo viajar por ela. Depois de uns 400km, numa parada para abastecimento, trocamos uma ideia e decidimos pernoitar em Mafra, pois já estava tarde e esfriando. Reservamos um hotel e fomos direto pra lá. Guardamos as motos num estacionamento no posto em frente, passeamos pela cidade, jantamos e fomos dormir. Na chegada, percebi que não tinha pago o café no último posto onde paramos na estrada. A ficha ainda estava comigo.

Dia seguinte, dia 04, domingo, tomamos café da manhã e fomos pegar as motos. As do Belo e do Manolo, que ficaram sem cobertura, amanheceram com uma camada de gelo sobre elas. Chegou a -1° durante a noite. Nessa hora, 08h00, já estava bem mais quente, 1° brrrrr… Bom, os dois tiraram a camada de gelo das motos e pegamos estrada. Mais uma vez, estrada tranquila, típica de um domingo. A temperatura oscilou bastante durante o trajeto, às vezes subindo a 13°, mas na maioria das vezes, entre 8 e 10°. Chegamos em São José dos Ausentes, considerada a cidade mais fria do Rio Grande do Sul, com 9,5°. Paramos no posto de gasolina para reabastecer e aguardar o nosso guia, Guilherme, que chegou logo em seguida. Tínhamos mais 20 km até Silveira, onde ficaríamos hospedados. Esses últimos quilômetros são de terra batida. A minha moto, a da Edna e a do Wanzer são apropriadas para esse tipo de terreno, mas a do Manolo e do Belo não. Por isso, enquanto o guia os levava para um hotel, em São José, onde deixariam suas motos, eu, Edna e Wanzer pegamos o trecho de terra até nossa pousada, a Pousada e Restaurante Altos da Serra, em Silveira. Trecho tranquilo. Terra boa, batida, com poucos buracos. Chegamos, e fomos muito bem recebidos pelos donos da pousada, o Mano e sua esposa Kika. Ambos muito simpáticos. Quartos simples, de madeira, mas muito aconchegante. Guardamos nossas coisas nos quartos e ficamos no bar da pousada, tomando uma cervejinha, vinho, petiscando e aguardando o resto do povo chegar. Após a chegada do resto do povo, jantamos e fomos descansar. Saída para passeio marcada para as 08h30.

Segunda feira, dia 05, saímos para nossos primeiros passeios. Saímos todos encapotados, pois estava 1°. Um frio do cão. Nada de moto, pois todos os caminhos são de terra, alguns muito difíceis de passar. O Guilherme estava com uma Toyota Hylux. Apesar de espaçosa, ficamos apertados, pois éramos muitos para o carro. Nossa primeira visita foi no cânion do Tabuleiro e depois o Amola Faca. Para chegar, o carro ficou na estrada e nós fizemos o resto do caminho a pé, passando por cercas de arame farpado e subindo e descendo encostas. Lugar lindo, visual maravilhoso. Voltamos para o carro, comemos um lanche e seguimos para o próximo cânion, o Boa Vista, onde tem um mirante. É também chamado cânion da Catedral. Nesse trecho, a Rosana desistiu de ficar na parte detrás da Hylux e foi para o colo do Manolo, no assento do passageiro. Ela achou mais confortável. Melhor para a Edna e a Céu, que tiveram mais espaço para se esticar. Para chegar no Boa Vista, pegamos um trecho que era um verdadeiro lamaçal. O Guilherme conseguiu controlar o carro e chegamos bem. Outra vez, fizemos o resto do caminho a pé, passando por cercas de arame farpado. Nesse cânion, também muito lindo, dá pra ver o vale que alcança o cânion anterior, de uma outra perspectiva. Valeu a paisagem. Voltamos para o carro e pegamos estrada. Dessa vez, ao passar pelo lamaçal, o carro deslizou de lado, mas não virou, foi só um susto. Em compensação, essa deslizada deve ter afetado o freio do carro, pois logo em seguida, já em terra firme, o freio começou a falhar. Mas deu pra chegar em segurança na pousada. Mais uma vez, jantamos e cama.

Terça feira, dia 06, outra vez 08h30. Dessa vez, mais quentinho, 9°. Dessa vez saímos em 2 carros, pois o carro do Guilherme ficou na oficina. Wanzer, Belo e Céu foram com o Guilherme e eu, Edna, Manolo e Rosana fomos com o Aécio. Um gaúcho simpático que tinha um monte de CDs com músicas típicas gaúchas. A Edna, principalmente, se deliciou. Começamos pela cachoeira do Perau Branco. Uma bela cachoeira, com encostas de rocha esbranquiçada, daí o nome, Perau Branco. Mais uma vez, caminhada até o local, passando por cercas de arame farpado e subindo/descendo encostas. Em seguida, fomos conhecer o cânion de Monte Negro, também um visual lindo. Muito calmo, muito silêncio, isto é, quando o Belo parava de falar…. Dessa vez, paramos para almoçar no restaurante da Pousada Monte Negro. Após o almoço, fomos visitar a queijaria Antonio Lopes, produção familiar de queijo serrano. Após uma breve explicação sobre o processo de produção dos queijos, compramos alguns para degustar mais tarde e ainda de quebra, curtimos uma música que a proprietária, Edinalia, fez para homenagear seu avô. Muito legal. De lá fomos conhecer o cachoeirão dos Rodrigues. Paramos o carro num lugar tranquilo, mas, de repente, um monte de abelha veio nos atacar. Uma delas conseguiu picar a mão da Edna, mas o resto saiu ileso, pois todos voltamos correndo para os carros a tempo de escapar. O Guilherme tinha um antialérgico, que a Edna tomou e não teve maiores problemas. Com o caminho “bloqueado” pelas abelhas, nossos guias tiveram que optar por um caminho mais longo, onde tivemos que atravessar um rio com os carros. Era bastante raso e seguro, mas ainda assim, deixou um gostinho de aventura. Essa cachoeira é bastante larga e com suas bordas arredondadas, onde a água desliza, em vez de cair. Lugar muito calmo e tranquilo. Voltamos e fomos até a Fazenda Potreirinhos, de onde tivemos acesso ao desnível dos rios. São dois rios, o rio Silveira e o rio Divisa. Eles passam a poucos metros um do outro, sendo que um está a um nível mais alto que o outro. Interessante de se ver, e um pouco esquisito. Muito legal. Pra chegar a um lugar mais alto onde é possível ver o desnível, tivemos que cruzar a pé um dos rios. Tiramos os sapatos, arregaçamos as calças e atravessamos por uma água tão gelada que parecia que os pés iriam congelar, sempre segurando em uma corda que servia como guia e apoio. Mas valeu a pena. Retornamos para um café com a dona da fazenda e depois, direto para a pousada, jantar e dormir.

Quarta-feira, dia 07. Último dia. Novamente, 08h30 e temperatura muito melhor, 13°. Primeiro fomos para São José dos Ausentes pegar o carro do Guilherme que já estava pronto. Mesmo assim, continuamos com 2 carros, mesma divisão da turma. Iríamos primeiro para o mirante Santa Lina, início da Serra da Rocinha, mas o freio do carro do Guilherme voltou a dar problema. Manolo deu uma olhada e deu um jeito, mas o freio voltou a dar problemas e o Manolo voltou a dar um jeito. Com o contratempo, o Guilherme preferiu primeiro almoçar no Restaurante Vale das Trutas. Lugar confortável, cerveja artesanal, mas no fim ficamos nas tradicionais mesmo. Um recanto com 2 poltronas, com vista para a natureza. Legal. Para não ter mais problemas, o Guilherme pegou um carro emprestado e deixou o dele lá, e seguimos para o Mirante Santa Lina. É onde começa a serra da Rocinha. De lá dá pra ver todo o vale gaúcho que se liga ao mar. Dá pra ver, inclusive o mar à distância. Visual estonteante. De lá fomos conhecer a Cachoeira das 7 Mulheres. Para chegar, passamos por caminhos de pedras em riachos, tomando cuidado para não cair. Talvez o lugar mais calmo e aconchegante de todos que visitamos. A cachoeira não é muito grande, mas fica num nicho, muito tranquilo. O solo, cheio de belas rochas. Pena que não cabiam na mochila da Rosana… Os mais corajosos tiraram os sapatos para molhar os pés na água. Mas só os mais corajosos, eu fiquei de fora. Fizemos o caminho de volta para o restaurante onde almoçamos, a pé, cruzando a cachoeira do Juvenal. Bastante alta com uma coluna de água estreita. Chegamos ao restaurante rapidinho, onde os guias, que tinham voltado com os carros, estavam nos esperando. E finalmente, voltamos para a pousada, para nossa última noite.

Quinta feira, dia 08, último dia em terras gaúchas. O grupo se separou. O Wanzer, que há tempos queria fazer de moto a serra da Rocinha, antes que asfaltassem, saiu de madrugada. Veja o relato dele:

“A serra da Rocinha é uma escarpa da serra Geral, entre o Rio Grande do Sul e Santa Catarina, Brasil e dá acesso aos Campos de Cima da Serra em Santa Catarina, ligando essa região serrana com o litoral sul catarinense.

Há tempos vinha planejando subir esta serra que começa em Timbé do Sul, SC e termina em Ausentes, RS.

Ora era uma coisa, ora outra, e o tempo foi passando. Quando tinha condições, estão asfaltando.

Bom tudo bem, mesmo assim vamos pra Ausentes. Convidei a turma para ir conhecer S. J. dos Ausentes indo por Vacaria.

Quando cheguei a Ausentes, o Guilherme, o guia que nos levou para fazer os passeios, me disse que a serra fica aberta em dois horários para trânsito dos locais e, lógico, dos turistas.

A serra abre das 6 às 8 da manhã e das 17 às 19 hs todos os dias.

Assim decidi que desceria na quinta-feira, quando seria o retorno da turma, que seguiram de volta a SP pela 116.

Acordei as 04h50min, me arrumei, e as 5h30 encarei os 32 km de terra até o mirante da serra. A estrada é de pura pedra e de difícil acesso, mas, devagar cheguei ao mirante as 7:30hs.

Que felicidade, estava realizando o sonho de descer a Rocinha. A estrada está boa. São 21 km até Timbé do Sul, SC, com um visual ímpar e com um alvorecer indescritível. O tom alaranjado no céu, simplesmente lindo. As fotos não conseguem traduzir a emoção que senti de estar lá vendo o astro rei nascer, simplesmente lindo.

Bom, desci a serra e cheguei em Timbé do sul. Parei pra abastecer e segui sentido BR 101 e depois pra casa, chegando bem graças a Deus.”

Nós pegamos estrada asfaltada. As motos do Manolo e do Belo, com certeza não aguentariam o tranco. E eu detesto acordar cedo. O nosso caminho não foi tão bonito, pena. Nosso objetivo imediato era Mafra, mas chegando lá, decidimos que daria para chegar a São José dos Pinhais. Mas antes de seguir, ainda parei no posto onde eu tinha esquecido de pagar os cafés. Devolvi a ficha e paguei os cafés, lógico. A uns 50 km de São José, fechou o tempo e começou a chover. Parei e todos colocamos as capas de chuva. Ótimo, porque parou de chover. E, para complicar, peguei uma saída errado e acabei entrando em Curitiba. Demoramos meia hora a mais pra chegar no hotel por conta desse erro. Bom, jantamos e fomos dormir.

Sexta feira, dia 09. Último dia do passeio. Logo cedo já fomos avisados pelo Manolo que o pneu traseiro dele estava furado. Como não adiantava se preocupar, primeiro tomamos nosso café da manhã e depois o Manolo encheu o pneu com o Tyrepand. A ideia era rodar até o primeiro posto de gasolina pra ver se o problema se resolveria. Mas não. Logo no posto, vimos que estava vazando a espuma do Tyrepand e o pneu já havia perdido mais da metade da pressão. Então, eu e o Manolo fomos procurar um borracheiro enquanto o resto do povo esperava no posto, tomando um cafezinho. Não foi difícil achar um borracheiro e, problema resolvido, voltamos para pegar o resto do povo e seguir em frente. Viagem tranquila, clima bom, estrada boa e chegamos em São Paulo, onde nos separamos. Cada um indo pra sua casa.

Foi uma viagem muito boa. Estrada boa. A Serra do Cafezal, com a pista duplicada está muito boa. A BR 116, depois de Curitiba, também está boa, com pista bem conservada. São José dos Ausentes é uma cidadezinha pequena e charmosa. A pousada é muito confortável e os donos são uma simpatia. Os cânions são a beleza do lugar. Visitamos vários cânions que são, na verdade, a continuidade de um cânion só. Cada mirante era uma visão de um ângulo diferente do mesmo cânion. Mas a estrutura é precária. O acesso aos cânions é através de propriedades privadas e os proprietários não se interessam em investir em turismo. O Guilherme tinha que deixar o carro na estrada de terra e nós seguíamos por terreno particular, sempre passando por cercas de arame farpado e subindo/descendo encostas até chegar ao local apropriado para aproveitar a paisagem. Geralmente caminhadas longas. A nossa média foi de 8 a 10 kms por dia, em terreno irregular. Mas ao chegar ao local, e deparando com aquela paisagem e o silêncio da natureza, sempre sentíamos que valeu a pena a caminhada. Como diria Fernando Pessoa, poeta português, “tudo vale a pena quando a alma não é pequena”

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